Rivelino Câmara: ‘Somos a favor da aliança do nosso MDB com o PT’

Rivelino Câmara: ‘Somos a favor da aliança do nosso MDB com o PT’

Reprodução do Cafezinho com César Santos(Jornal Defato)

Rivelino Câmara é um dos principais nomes do MDB na região do Alto Oeste do Rio Grande do Norte. Reeleito prefeito de Patu, com quase 60% dos votos, ele se fortaleceu politicamente ao articular a fundação da Associação dos Municípios do Oeste Potiguar (AMOP), da qual é presidente. É com essa liderança que Rivelino Câmara tem participado das conversas do MDB estadual sobre as eleições estaduais 2022.

No Cafezinho com César Santos deste domingo, 5, Rivelino Câmara antecipa que é a favor da aliança do seu partido com o PT da governadora Fatima Bezerra e advoga que é importante as bases emedebistas entenderem a reaproximação entre os dois partidos.

Rivelino Câmara também defende a candidatura do deputado federal Walter Alves, presidente do MDB no RN, e aponta o ex-governador e ex-senador Garibaldi Filho como um nome forte às eleições do próximo ano.

Nascido em Caraúbas, Rivelino Câmara, 51 anos, sempre gostou de política desde a adolescência. Em sua terra natal, iniciou carreira pública ao participar de governos como secretário e/ou assessor. Também foi secretário de Administração no vizinho município de Governador Dix-Sept Rosado. Mas, foi em Patu que ele consolidou a sua carreira. Em 2016, conquistou seu primeiro mandato eletivo; em 2020, se reelegeu prefeito. Hoje, lidera a luta municipalista dos prefeitos oestanos.

Cafezinho: O senhor é dos principais prefeitos do MDB no Oeste potiguar e exerce liderança na região. Essa condição o colocará na discussão do partido em relação às eleições 2022?

R.C – O MDB tem feito uma discussão com todas as lideranças do Partido, lógico que pela proximidade que temos com o nosso presidente deputado Walter Alves temos participado mais dessas conversas e tentado, no que está ao nosso alcance, colaborar para um desfecho positivo para o MDB.

C- O PT quer fazer aliança com o MDB e a Executiva estadual mostra-se simpática, embora encontre resistência nas bases emedebistas. E qual é a posição do senhor? Contra ou favor de uma eventual aliança com a governadora Fátima Bezerra?

R.C- Eu sou a favor, inclusive temos conversado com os outros companheiros de partido, prefeitos e lideranças. Hoje o MDB é o maior partido do estado, com 38 prefeitos, 30 vice-prefeitos, mais de 400 vereadores, dois deputados estaduais, um deputado federal, além da força do partido em todo o RN e o nome do Senador Garibaldi Filho que mesmo sem mandato continua exercendo liderança em todo o estado. E nós temos que ter responsabilidade com o momento que estamos vivendo, temos um Governo que mesmo com todas as dificuldades tem avançado, e nós do MDB entendemos isso e estamos prontos para colaborar nos ajustes que precisam ser feitos, para que assim nosso estado volte a ter capacidade de investimentos e que mais ações possam chegar a nossa população.

C- O senhor não acha que as divergências locais podem sobrepor a uma decisão estadual do partido? Por exemplo, em Apodi o PT faz oposição ao governo do MDB, e os dois partidos divergem em muitos outros municípios, como em Mossoró, o segundo maior colégio eleitoral do RN. Como o senhor vê esse cenário?

R.C – Olha, nós estamos em um momento de conversas, de construção de uma aliança, e as divergências existem para serem superadas. Em Apodi, por exemplo, o nosso colega prefeito Alan Silveira tem conversado com nosso presidente Walter, ele é um homem de partido, tem entendido esse momento por que passamos e está pronto para somar, assim como as lideranças do PT tem conversado com os seus integrantes. Temos que colocar o Rio Grande do Norte acima das questões locais nesse momento, por isso é importante conversar, discutir para que a aliança seja construída com a participação de todos e não de cima pra baixo. Por isso vejo com muito otimismo.

C – Outro ponto de divergência dentro do MDB é o que coloca em confronto o presidente estadual da sigla, deputado federal Walter Alves, e o ex-deputado Henrique Alves. Os dois não se permitem dividir o mesmo ambiente. Essa divergência político-familiar, até que ponto afeta o projeto do partido para 2022?

R.C – Eu tenho pelo ex-deputado Henrique o maior respeito e amizade; agora nós estamos vivendo um novo cenário, tanto a nível estadual como a nível nacional. O nosso presidente Walter Alves hoje lidera nosso partido juntamente com o ex-senador Garibaldi. O MDB mudou em todos os níveis renovando a partir do comando Nacional com Baleia Rossi na presidência e isso tem reflexo aqui no estado e nos municípios. O que está colocado é a candidatura de Walter porque essa é a decisão do nosso partido, isso é uma questão já consolidada.

C – Independentemente de quais regras valerão nas eleições 2022, há uma necessidade de o MDB fortalecer a chapa de candidatos, principalmente para deputado estadual, hoje com apenas dois representantes na Assembleia Legislativa. O seu nome pode ser oferecido ao eleitor nas eleições do próximo ano? O senhor será candidato?

R.C -Não serei candidato em 2022, mas o partido está trabalhando nominata para fortalecer tanto a chapa de deputado Estadual como a de Federal.

C -O senhor liderou a criação da Associação dos Municípios do Oeste Potiguar e assumiu a presidência da entidade com a proposta de organizar e fortalecer o movimento municipalista na região oeste. Em que estágio se encontra essa luta?

R.C – Temos avançado na luta municipalista, apesar do momento difícil que todos estamos vivendo com essa pandemia, e hoje na nossa associação já temos 32 municípios filiados e deveremos nos próximos 30 dias chegar a mais de 40. Estamos finalizando a montagem da nossa sede em Pau dos Ferros, e no momento nos somando às demais entidades regionais e à Femurn que é a nossa federação; temos conquistas importantes que já estão impactando em nossos municípios.

C – Está em curso o debate sobre o consórcio de municípios para fortalecer a saúde pública na região Oeste. Há, inclusive, a possibilidade de construção de uma policlínica no Alto Oeste. Essa proposta tem chances de ser viabilizada?

R.C – Tem grande chance de ser viabilizada sim, e conta com nosso apoio e esforços para que tenhamos isso concretizado o mais breve possível. Fizemos visitas a algumas policlínicas no Ceará, já que é um estado que tem sido referência nesse modelo, e na última terça-feira (31/08) realizamos junto com a SESAP reunião com os prefeitos integrantes da 6ª regional de saúde e estamos avançando. O que a associação tem colocado para o Governo do Estado é a necessidade de implantação não só de uma policlínica no Oeste, mas sim de duas, pois nossa região é uma das maiores do Rio Grande do Norte e para que tenhamos a nossa população bem assistida se faz necessária a implantação de duas unidades.

C – De forma prática, como o consórcio dos municípios pode fortalecer o atendimento à saúde das pessoas, com custo menor para as prefeituras?

R.C -Olha, o modelo de consórcio hoje em várias regiões do país tem mostrado eficácia, e neste momento de dificuldade financeira, principalmente. A proposta que está sendo discutida é a formação de consórcio entre municípios e estado, sendo que os municípios entram com 60% e o estado com 40% dos recursos, e o consorcio será administrado por um prefeito que será eleito presidente pelos demais membros do referido consórcio. Como principalmente os pequenos municípios têm dificuldade em levar determinados serviços de saúde para sua população em virtude dos custos, a junção desses atendimentos numa policlínica facilita para todos e todos conseguem ser atendidos.

C -A governadora Fátima Bezerra foi eleita em 2018 com discurso municipalista, inclusive, ela venceu as eleições em quase todo o interior do Estado. O senhor considera que a gestão estadual pôs em prática a proposta de um governo municipalista?

R.C -Não, o Governo precisa ser mais municipalista, e temos conversado isso e há entendimento de membros do próprio governo de que ajustes precisam ser feitos, e vejo que já estão sendo feitos. Mas é preciso mais, principalmente nesse momento de dificuldades para todos, pois só somando estado e municípios conseguiremos avançar em ações para a população, já que no momento tanto Governo como municípios têm poucos recursos, e entendo que somando a gente consegue mais.

C – Como a sua gestão conseguiu enfrentar a pandemia da Covid-19 e como o município de Patu está conseguindo sair da crise sanitária?

R.C -Com muita dificuldade, aperto e, às vezes, com criatividade, principalmente esse ano, já que não tivemos nenhuma ajuda federal. Mas não tem sido fácil, graças a Deus até hoje nós conseguimos manter a administração funcionando, e fazendo ajustes permanentes conseguimos até avançar em algumas áreas. Patu, mesmo sendo um município pequeno de pouco recursos, foi um dos poucos municípios do estado que criou um auxílio emergencial municipal para socorrer os pequenos comerciantes que foram mais afetados com pandemia.

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