Padre Guimarães: Com fé e amor, pela cultura e pela arte

Padre Guimarães: Com fé e amor, pela cultura e pela arte

A série Prosa de Artista editada semanalmente no portal Oeste em Pauta (www.oesteempauta.com.br) entrevista o padre Manoel Vieira Guimarães Neto, ou simplesmente Padre Guimarães. Um homem de muita fé, apaixonado pela família e um defensor ativo da cultura e das artes. Atual diretor do Teatro Lauro Monte Filho em Mossoró. Guimarães sempre teve ligação com as manifestações populares e culturais de Mossoró. Além de ator, diretor, produtos, escritor, ele também já dirigiu o Teatro Alfredo Simonetti e a Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte.
Nessa prosa, ele nos conta sobre sua infância, seus tempos de seminário, sua vocação artística e suas escolhas e desafios em busca de um mundo melhor e de pessoas mais felizes com aquilo que decidem fazer.

Venham com a gente! Participe dessa prosa e conheça um pouco mais sobre o Padre Guimarães.

Por Fabiano Souza

Oeste em Pauta:             Gostaria que o senhor nos contasse um pouco sobre a sua história. Onde nasceu, família, infância.

Padre Guimarães: Nasci aqui em Mossoró, no centro da cidade… costumo dizer que nasci à sombra da Torre da Catedral de Santa Luzia, pelas mãos das parteiras D. Júlia e D. Noeme Borges, no dia 14 de janeiro de 1952. Milhares de mossoroenses nasceram pelas mãos delas. Meu pai era motorista da Rede Ferroviária do Nordeste e minha mãe tinha como se costumava dizer naquela época: Prendas domésticas. Família tradicionalmente católica de um lado e de outro. Minha bisavó materna era uma mística com uma história de vida muito bonita. Meu bisavô paterno era um beato que foi responsável pela construção da primeira Capela do atual bairro Alto da Conceição, antigo Alto dos Macacos, onde hoje é a suntuosa Matriz.

Tive uma infância normal, mas muito voltada para as coisas da Igreja: fui coroinha do Mons. Huberto Brüennig, minha primeira referência de Padre, e cheguei a ajudar no altar quando a Missa ainda era em latim e de costas pro povo.

Tive também o privilégio de morar na Av. Dix-Sept Rosado que eu considero uma rua mágica por conta dos seus moradores. Era uma vizinhança maravilhosa, como se fôssemos uma grande família… até hoje somos amigos e estamos com um Projeto de escrevermos um livro sobre esta rua, com histórias incríveis.

O.P.:      Como era seu relacionamento com a família, principalmente com sua mãe “A Rainha”, que se tornou conhecida e amada através de suas postagens sobre ela nas Redes Sociais?

P.G.: Eu tive o privilégio de nascer numa família maravilhosa onde o humor era a principal característica. Lá em casa tudo terminava em gargalhadas. Meu pai era um palhaço… sabe aqueles palhaços de circo, com aquele humor bem escrachado? Já o humor de mamãe era uma coisa mais leve, sutil, inteligente. As minhas irmãs sempre foram mais ligadas a papai. Na minha adolescência um dia papai olhou bem sério pra mim e disse: “Dois bicudos não se beijam”. A partir daí eu nunca mais pude beijar papai… pra mim era muito difícil, porque eu sempre gostei de abraçar e beijar as pessoas queridas. Eu não conseguia entender porque eu não poderia beijar o meu pai… aí eu “descontava” na minha mãe. Eu a abraçava e beijava muito e ela me retribuía generosamente. Por isso que eu sempre fui mais ligado a ela. Também a questão da arte: mamãe era filha de músico, um saxofonista que tocava na Banda de Música Municipal. Ela começou a estudar piano, sob a promessa de só tocar por partitura. Um dia meu avô a surpreendeu tocando de “oitiva” (de ouvido) e a tirou das aulas. Foi uma pena, porque ela tinha muito talento e poderia ter sido uma grande pianista. Anos mais tarde Deus me concedeu a graça de cuidar dela na sua velhice e foi uma experiência riquíssima. Tanto que um dia eu resolvi partilhar no Facebook o meu dia a dia com ela e, como se diz na gíria facebookeana, as crônicas bombaram. Por isso que resolvemos transformá-las em livro, brevemente.

O.P.:      Quando começou a despertar o interesse pelo Sacerdócio e deu início a sua vida religiosa?

P.G.: Como eu já disse antes, tanto do lado paterno quanto materno, a minha família sempre foi muito religiosa. Quando me perguntam isso eu sempre digo que tudo começou na barriga da minha mãe. As pessoas às vezes pensam que é brincadeira, mas é a mais pura verdade. Quando ela estava me esperando chegou a Mossoró um Padre Missionário que ia dar uma bênção para as mulheres grávidas e uma comadre de mamãe passou lá em casa para que ela pudesse receber esta bênção. Ela me dizia que na hora em que o padre se aproximou e pronunciou a fórmula da bênção, ela resolveu consagrar aquela criança que estava em seu ventre a Deus, para que Ele fizesse o que quisesse comigo. Nesse momento eu estremeci na sua barriga e eu dizia brincando: “Pronto. A senhora foi me entregar a Ele e Ele aceitou na hora. Não tive nem opção”. Como a família era praticante eu vivia na Igreja e adorava servir no altar como coroinha, acompanhar Mons. Huberto nas suas viagens às Comunidades Rurais, ouvi-lo falar (eu era capaz de passar o dia todo só o ouvindo)… Logo ele era uma pessoa extremamente culta, de modo que era um enorme prazer aquilo. Sobretudo quando ele falava sobre as abelhas… Aos 13 anos fui encaminhado para o Seminário, aos 18 fui morar em Natal, aos 19 fui para o Rio de Janeiro porque eu queria ser ator famoso. Aos 23, quando tudo estava começando e dando certo, resolvi, depois de um processo doloroso de escolha, voltar para o Seminário. Fiz Filosofia em Fortaleza e Teologia em Recife. Mas o MEC não reconhece esses Cursos, de modos que, oficialmente, eu só tenho o segundo grau. Outra coisa que também as pessoas não acreditam. Tem gente que pensa que eu tenho Mestrado, Doutorado… eu acho que, involuntariamente, eu engano muito bem.

O.P.:      Como foram os tempos do Seminário Maior e o início dos seus trabalhos pastorais após a Ordenação?

P.G.: Eu sempre digo que Deus me tem um amor de predileção (todo mundo deveria sentir o mesmo). Quando voltei do Rio a minha intenção e desejo era ir para a Arquidiocese de Olinda e Recife, por causa de D. Hélder Câmara. Mas D. Gentil foi logo me dizendo que eu escolhesse qualquer cidade do Brasil, menos estas. Pelo mesmo motivo: por causa de d. Hélder Câmara. Aí eu escolhi Fortaleza por causa da proximidade com Mossoró. Mas tive muita sorte porque o Arcebispo era D. Aloísio Lorscheider, um santo Profeta, e porque tive excelentes Professores: Pe. Manfredo Araújo (que era o nosso Reitor), Eduardo Hoornaert, além de outros. Pra a Teologia eu pedi ao nosso então Bispo Coadjutor D. José Freire, que me deixasse fazer em Olinda e Recife… ele combinou com D. Gentil e eu fui pra onde sempre eu quis ir. A convivência com D. Hélder não era muito próxima, não. De vez em quando ele ia nos visitar no Seminário e isso era suficiente para marcar definitivamente não só a minha vida, mas a de todos os da minha geração. Aquele homem franzino, baixinho, feinho quando começava a falar se agigantava. Era simplesmente fascinante ouví-lo falar. Lembro que em 1984 eu estava fazendo um estágio no Centro Internacional do Espetáculo e da Comunicação Social, em Roma, dirigido pelo Jesuíta Pe. Nazareno Tadei, quando, dentro da Programação para a canonização de Sta. Paola Frassinetti, ele foi convidado para falar numa determinada Igreja… eu fiquei impressionado. A maioria da plateia era composta por jovens que o escutavam embevecidos… e olhe que o italiano dele não era muito bom. Mesmo assim, na Igreja, a voz dele ecoava com uma força extraordinária e os ouvintes nem piscavam os olhos. Não é à toa que eu sempre faço referência a ele. Ele me marcou demais.

Depois que eu me ordenei D. Freire me convidou logo pra fazer parte da Coordenação Diocesana de Pastoral e eu passei a assessorá-lo bem de perto. Fui designado para a Paróquia de S. Manoel (onde passei mais de 20 anos), depois fui para Recife servir no Regional Nordeste II da CNBB como Articulador do Setor de Comunicação Social e membro da Equipe de Direção do Seminário Maior do Nordeste II. Quando voltei para Mossoró D. Freire me nomeou Vigário de Alexandria, onde passei uns 3 anos, mas aí papai morreu e eu voltei para cuidar da minha mãe. Ainda fui Animador Adulto da Pastoral da Juventude do Meio Popular, Assessor da Pastoral Familiar, Coordenador da Pastoral Urbana, Diretor Espiritual da Legião de Maria entre outras coisas.

O.P.:      Além de Padre o senhor também é monge. Qual a diferença entre os dois? Nos fale um pouco sobre seus Projetos dentro da Igreja.

P.G.: Quando eu estava para completar 20 anos de Padre eu fui fazer um Retiro em Baturité/CE. Trata-se dos Exercícios Espirituais de Sto. Inácio de Loyola. Um mês em silêncio. Mas quando o Pe. Hugo, Jesuíta, veio me conhecer e conhecer meu trabalho pastoral, ficou muito impressionado com o volume das minhas atribuições, e resolveu me sugerir o de apenas uma semana. No final deste retiro eu me dei conta que o meu Ministério Pastoral era fonte de muita realização pessoal, eu estava feliz, mas me faltavam duas coisas: vida comunitária e de silêncio. Muito difícil para um padre diocesano. Aí eu pensei: “Eu só vou conseguir isso num Mosteiro. Mas Mossoró não tem Mosteiro. Eu vou ter que fundar um?” No início eu achei a história absurda demais. Falei com Pe. Sátiro, Mons. Américo e D. Freire que me deram total apoio. Mas D. Freire estava renunciando e me disse que eu esperasse o novo Bispo. Quando D. Mariano chegou eu falei pra ele que também me apoiou. Aí eu fui para a Abadia da Ressurreição em Ponta Grossa/PR onde recebi a Tradição e fiz meu Noviciado. Na volta tentei começar a experiência, mas não deu certo. Eu não poderia abandonar minha mãe para ir morar na comunidade e isso logo se mostrou inviável. Sobre a questão de Padre e Monge. Padre é aquele que recebe o Sacramento da Ordem em 2º. Grau: o Presbiterato. O 1º. é o Diaconato e o 3º. Episcopado. Tem aqueles Padres ligados à Diocese (são os diocesanos) e tem também os Padres ligados a alguma Ordem Religiosa ou Congregação. No Mosteiro pode haver Monges Padres e Monges que não são Padres. Os primeiros receberam o Sacramento da Ordem. Os segundos, não.

Agora estamos com a Fundação a pleno vapor e os candidatos estão ansiosos para virem começar a experiência. Mas, por causa da pandemia, estamos dando um tempo. Mas já está tudo encaminhado.

O.P.:      Vamos falar agora sobre outro lado forte de sua vida que é o amor pela cultura e pela arte. Quando surgiu o interesse pela literatura, o Teatro, a música e as artes em geral? Veio junto com a formação religiosa ou o senhor já despertava para as artes antes da formação religiosa?

Palhaço
Vestido de palhaço em uma festa familiar. Brincadeira que virou coisa séria e rendeu uma peça de teatro

P.G.: Desde que eu me entendo por gente eu sou artista. Eu tive a sorte de ter no primário (hoje ensino fundamental) uma Professora, D. Maria Clotilde, que estimulava muito a seus alunos para que eles escrevessem muito. Eram redações que ela corrigia e depois comentava. E eu sempre me destacava. Depois no Ginásio tive outro Professor excelente, o Pe. Alcir, que era um dos melhores Professores de Português da cidade e que também nos estimulava a escrever. Não só a escrever, mas também tínhamos prova de Oratória, pra nota. Nas grandes datas festivas nós, os alunos, éramos obrigados a discursar. Aí eu fui criando gosto… um dia houve um Concurso de uma Editora (Globo) no âmbito do Colégio e eu ganhei o prêmio, falando sobre Paris (que eu nem conhecia ainda). Mais adiante ganhei outro prêmio a nível de Nordeste promovido pela APLUB (Associação  dos Profissionais Liberais Universitários do Brasil), sobre o Dia das Mães e eu fui até Porto Alegre/RS, onde passei uma seman. O nome do Concurso era: “Vá de APLUB aos Pampas”.

O desenho foi desde pequeno. Um dia desenhei com gesso na calçada a figura do Mons. Humberto de braços abertos. Ele passou, viu e perguntou:

– Quem é este, Guimarães?

– É o senhor.

– E por que eu de braços abertos?

– Porque é o senhor pregando na Catedral.

Ele riu muito e saiu abanando a cabeça.

A música também começou na infância. Eu era um excelente cantor de banheiro. Um dia minha irmã mais velha me inscreveu sem que eu soubesse num Programa de Calouro, da Rádio Difusora. Aí eu tirei o primeiro lugar cantando uma música do repertório de um cantor mirim espanhol que fazia sucesso no mundo inteiro: Joselito. No Colégio Sta. Luzia eu fiz parte do Coral, regido pelo Pe. Édson Cabral, excelente pianista e tenor. No Seminário também tive aulas de teoria musical e de piano… mas não fui muito à frente.

O Teatro foi no Seminário. A primeira vez que eu pisei num palco foi com 14 anos, sob a Direção de Pe. Alfredo Simonetti. A peça era: “Do tamanho de um defunto”, uma comédia de costumes de Millor Fernandes. Daí não parei… a não ser recentemente, quando vi que não dava mais para conciliar minha vida de Padre com a de Ator.

O.P.:      O senhor tem diversos trabalhos editados em todas as áreas citadas acima. Quantos trabalhos o senhor já conseguiu apresentar ao público, entre livros (Prosa e Verso), Músicas (Composições e Gravações), Peças de Teatro (atuando, escrevendo e produzindo), entre outros trabalhos.

P.G.: Livros: “Chico” um Auto Musical Nordestino, com músicas de Reginaldo Veloso (que eu comecei a gravar este ano, mas aí veio a pandemia e nos colocou em compasso de espera) e Prefácio de D. Pedro Casaldáliga. Editora a Partilha. “Cartas do Ir. Manoel”, que eu escrevi quando estava na Abadia da Ressurreição, em Ponta Grossa. Em processo de Editoração: “Nossa Majestade a Rainha”, “Miguel e eu – uma história de Amor”, “Reavivando o Dom” (Minhas Memórias), “Minha história na Paróquia de S. Manoel”… Outro de Poesias que eu pretendo também ilustrar. “Um homem – Paixão e tempo”, sobre a minha experiência no Teatro. Além de outros.

Gravei um CD: “Sedução” com doze músicas onde faço parceria com Iremar Leite, um dos melhores compositores da cidade, em seis delas. Eu com a letra e ele com a melodia. Fiz também uma participação especial num CD produzido pela Prefeitura, onde canto uma música de Oseias Lopes (Carlos André): “S. João em Mossoró”. E quando terminar a pandemia eu pretendo terminar de gravar as músicas do livro “Chico”.

Recentemente voltei a desenhar e pintar, estimulado pelo meu Mestre e amigo: Vicente Vitoriano, um gênio do nosso Estado.

Escrevi muitos textos para Teatro, não me lembro ao certo. Trabalhei como Ator numas 20 peças… Preciso me organizar mais e enumerar todos esses trabalhos. Dirigi umas 20, mas confesso que não gosto de dirigir. Dirigi porque não tinha outro.

O.P.:      O senhor participa de algumas entidades culturais. Quais são elas e o que essas entidades representam para a cultura mossoroense?

P.G.: Eu participo da AMOL (Academia Mossoroense de Letras), da ASCRIM (Associação dos Escritores Mossoroenses) e da Confraria Café & Poesia. Gosto de participar de tribos, com pessoas com as quais eu me identifique. Na AMOL eu ocupo a cadeira que tem como Patrono D. João Costa (2º. Bispo de Mossoró), segundo Dorian Jorge Freire, um homem culto e santo. E foi ocupada por D. José Freire (5º. Bispo de Mossoró. É muita responsabilidade ocupar esta cadeira por causa desses ex ocupantes tão ilustres. Mas, estimulado por Pe. Sátiro, aceitei o convite.

A ASCRIM, fruto do esforço hercúleo do meu amigo  Francisco José (Parrudo) reúne vários escritores da cidade e eu não poderia recusar o convite dele.

A Confraria Café & Poesia é uma experiência atípica. E gostosa. Não temos estatutos e nem formalidades. Apenas nos encontramos e a única exigência que se faz é gostar de Café e Poesia. Mensalmente nos encontramos para tomar café, ler e recitar poemas e crônicas e é uma beleza. Por conta da amizade, da descontração, do amor às letras… sem falar que nos “encontramos” todos os dias, virtualmente, pelo WhatsApp. É sempre muita alegria.

Todos esses escritores e poetas fazem a Literatura continuar viva entre nós e, pra mim, isso já representa muita coisa.

O.P.:      Como o senhor avalia o atual momento cultural em Mossoró, no RN e no Brasil como um todo?

P.G.: Parado, naturalmente, tendo em vista o perigo que representa essa pandemia. Mas, como os artistas são, invariavelmente inquietos, muitos conseguem fazer alguma coisa, com todas as limitações e dificuldades impostas por esse momento crucial, através de lives, espetáculos on line, etc. Nós artistas, nos espelhamos na Fênix, aquela ave que sempre renasce das cinzas mais bela do que antes.

O.P.:      Como estão os trabalhos à frente do Teatro Lauro Monte Filho, diante dessa situação da pandemia?

P.G.: Como não poderia deixar de ser, parados. Como vivemos de aglomerações (casa cheia) estamos, no momento, engessados, sem poder abrir para espetáculos presenciais. Mas, de vez em quando cedemos o espaço para algumas gravações, fotos, ou outras coisas. É uma pena ver aquele espaço assim, ocioso… mas não podemos fazer nada. Temos que esperar que tudo isso passe para voltarmos com gosto de gás.

O.P.:      O senhor acredita que a Cultura pode promover os direitos humanos, a dignidade e a paz entre as pessoas ou isso seria utopia, diante da atual situação em que se encontra o Brasil?

P.G.: Esta pergunta me faz lembrar o Patrono da Educação no Brasil, o grande Pedagogo Paulo Freire: “A Educação não muda o País. A Educação muda as Pessoas. E as pessoas mudam o País”. A mesma coisa acontece com a Cultura. Você consegue imaginar este país sem Cultura? Agora, por exemplo, durante esta pandemia. O que seria das pessoas sem os livros, sem o cinema, sem a dança, as artes plásticas?… Todo mundo iria à loucura. Se com todas essas coisas está difícil, imagine sem. Fiz Teatro durante muito tempo. Mas nunca conheci o lado glamouroso do Teatro. O meu fazer artístico sempre esteve voltado para a questão social e política do meu país. Também não sou ingênuo e não tenho a pretensão de dizer que tudo o que eu fiz teve alguma influência no processo de transformação da Sociedade. Mas sabe aquela questão do grão de areia? A minha colaboração sei que foi muito pequena… mas foi a minha contribuição, o que eu pude fazer e fiz tudo com muito amor. Madre Teresa de Calcutá fala da gota d’água no Oceano. É pequena, mas sem ela o Oceano não  é a mesma coisa.

O.P.:      Deixamos o espaço para que o senhor possa dizer se faltou alguma pergunta que eu deveria ter feito e não fiz… qual seria esta pergunta e qual a sua resposta?

P.G.: Há sempre algo pra dizer… a gente nunca esgota nada. Mas acredito que para o espaço está bom… logo eu falo pelos cotovelos, como se diz… E, em se tratando de arte e cultura, eu sempre me empolgo. A vida é um mistério… e mistério, ao contrário do que pensa muita gente, é algo que quanto mais conhecemos, mais tem o que conhecer. Por isso que tudo é mistério. Porque em tudo sempre há algo que precisa ser conhecido… sempre. Obrigado pela oportunidade.

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